50% das ocupações norte-americanas ameaçadas pela tecnologia

Fez agora 400 anos que William Tee morreu. Para quem não conheça, William Tee foi o homem inglês que, ao inventar a primeira máquina de costura automática, revolucionou a indústria. A própria rainha de Inglaterra, na altura Isabel I, nunca lhe concedeu a patente, devido à preocupação e pressão de todos aqueles cujo emprego era coser à mão. Tee mudou-se para França – onde foi apoiado pelo rei – e lá morreu.

Séculos passaram, o medo da inovação tecnológica suplantar trabalhadores humanos ficou. Até agora este medo do desemprego tecnológico não se materializou. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, no início do século passado mais 40% da força de trabalho norte-americana estava empregada na agricultura. Hoje, a tecnologia subsituiu quase todos os trabalhadores e a percentagem desceu para 2% mas a taxa de desemprego manteve-se relativamente constante.

O futuro parece ser diferente: num estudo da Oxford University a 700 ocupações, conclui-se que metade destas são susceptíveis à computadorização, isto é, aos trabalhadores serem substituídos agora não por maquinas mas por computadores da próxima geração através da Big Data.

A Big Data marca um ponto de viragem na curta história da substituição do trabalho humano pela tecnologia. As máquinas do século XIX substituíram artesãos dotados ao simplificar as tarefas. No século passado, a revolução computacional causou um esvaziamento dos trabalhos de manufatura de médio-rendimento, que envolviam actividades baseadas em regras, e portanto fáceis de computadorizar. Agora, a próxima geração de computadores Big Data vai principalmente substituir trabalhadores de baixo-rendimento e baixa-habilidade.

A computadorização ser um risco para tantas ocupações é lógico economicamente: se os custos da computação digital continuam a cair, os computadores serão cada vez mais uma alternativa mais barata que trabalhadores humanos. A Big Data é a causa do decréscimo de custos: torna mais barato e eficiente compilar grandes bases de dados a partir de sensores automáticos.

Passaram a estar em risco trabalhos que nunca estiveram. Trabalhos como os de trasportação e logística ameaçados por carros que se guiam a eles mesmos, menos caros e menos arriscados que condutores humanos. Trabalhos como advogados de patentes ou paralegais, funções de suporte administrativos que podem ser facilitadas com computadores com a capacidade de percorrer largas pilhas de documentos dados novos algoritmos de reconhecimento de padõres. E também trabalhos como a maioria de profissões de serviços e vendas, desde trabalhadores de fast food até digitadores.

E que empregos estão seguros nas próximas décadas? Aqueles que as máquinas não conseguem fazer para já.

Primeiro, tarefas que requerem inteligência social e criativa. São empregos com baixo risco de computadorização aqueles que requerem inteligência social e o desenvolvimento de novas ideias e artefactos naquele contexto. Empregos como a maioria das profissões de gestão, intensas em tarefas que requerem inteligência social, mas também ocupações em educação e saúde, artes e media. As engenharias e ciências são relativamente imunes dado o alto grau de inteligência criativa necessária.

Depois os obstáculos de engenharia que previnem computadores, ou equipamento controlado por computadores, de realizarem essas tarefas. A instalação, reparação e manutenção estão seguras. Estas requerem mover-se em ambientes com pouca estrutura e os computadores não tem capacidades de percepção que são triviais para o ser humano. Por isto, empregadas de limpeza, que tem de delicadamente manipular vários objectos, não serão provavelmente computarizadas no futuro.

Mas isto são os computadores de próxima geração. Os que se seguem ganharão capacidades (Por exemplo: o mercado de robôs pessoais de casa cresce 20% por ano) e a vantagem competitiva dos humanos diminuirá, levando a uma ainda maior taxa de substituição de humanos por máquinas.

Trabalhadores de baixa-habilidade terão que ser orientados para tarefas como as descritas acima ou as próximas décadas serão de um desemprego nunca visto causado pelo avanço tecnológico, e de todos os problemas tal desemprego trará.

Não seria possível evitar o avanço tecnológico e portanto salvar os empregos? A história diz-nos que não. Os motores para carros substituíram os cavalos para carroças. A lógica económica é implacável: hoje a França, que apoiou William Tee, é o expoente global da alta-costura.

Nota: O autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.

Texto original aqui

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