60% dos empregos em Portugal vão desaparecer

É o que revela um novo estudo, da Bruegels. Este estudo baseia-se no que analisámos no ensaio passado, ao aplicar os mesmos cálculos da probabilidade de automatização dos empregos ao mercado de trabalho europeu.

Actualmente, são 3 os principais entraves de engenharia que previnem a automatização de uma ocupação: 1) inteligência criativa, 2) inteligência social, e 3) tarefas de percepção e manipulação delicadas. A força somada destes entraves gera uma classificação de empregos de acordo com quão difíceis são de automatizar.

Esta classificação dá-nos o risco de computadorização, isto é, a probabilidade de uma ocupação ser automatizado dentro nos próximos 10-20 anos. Quanto mais e mais fortes os entraves, menor a probabilidade de automatização (desde fisioterapeutas – 0.28% – até telemarketers – 99%).

A Bruegels expandiu o estudo original usando dados baseados na 2012 EU Labour Force Survey, que reflecte o mercado de trabalho na UE. Utilizando esses dados geraram um index do risco de computadorização do total da força de trabalho nas próximas uma a duas décadas na EU-28, com estes resultados:

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Fonte: Cálculos Bruegel baseados em Frey & Osborne (2013), ILO, EU Labour Force Survey.
Vermelho significa maior percentagem do mercado de trabalho sob risco de computadorizaçao, verde menor percentagem.

Portugal está, junto com a Roménia, sob o maior risco de computadorização, ambos com 60% da população trabalhadora a ser deslocada do mercado de trabalho.

(Claro que conforme algumas tarefas passem a ser realizadas por computadores os antigos trabalhadores podem realizar novas tarefas, e novas ocupações nascerão. É difícil prever os trabalhos existentes em 2035, e portanto, esta análise é, na realidade, acerca do que aconteceria hoje se a evolução dos computadores nas próximas duas décadas fosse transportada para o mercado de trabalho actual, com as exigências e capacidades actuais.

Claro que várias coisas podem ainda mudar.

Porém, os cavalos substituídos por carroças aquando da massificação do automóvel não encontraram ocupações alternativas, e é portanto importante levar a sério a hipótese de este problema não se resolver por si só.)

O que a análise revela é que conforme a adopção aconteça – e acontecerá, porque o baixo custo da tecnologia impô-lo-à, – a periferia da Europa está sob o maior risco.

Presentemente o foco da UE tem sido diminuir as altas taxas de desemprego (10% desemprego adulto e 20% desemprego jovem na EU-28 em 2014). Estas taxas, baixas relativas às previstas, já tem causado problemas sociais e de estabilidade social. Não é sério ignorar uma análise que pinta um futuro com desemprego 3 a 6 vezes maior.

Uma de duas coisas acontecerá: seremos apanhados de surpresa, a tecnologia mudará o mercado de trabalho causando desemprego maciço – levando à ruptura do modelo social europeu, a taxações dos donos de capital e meios de produção tais que fugiram da Europa como hoje fogem para offshores -; ou, preparar-nos-emos, realocando o talento futuro imediatamente: mudando os nossos sistemas educativos direcionando a aprendizagem para tarefas criativas, de inteligência social, e de manipulação e percepção delicada.

 

 

Nota: O autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.

 

 

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