Como a Uber vai mudar a economia global à sua imagem e deixar Portugal no passado

10 anos para além da ANTRAL

Nesta semana o Tribunal de Relação de Lisboa proibiu a Uber – uma app de telemóvel que oferece um serviço de transportes – de operar em Lisboa. Como disse Francisco Veloso, diretor da Universidade de Economia e Gestão da Universidade Católica, é tentar “parar o vento com as mãos”.

Mas avancemos para 2025 no mundo dos transportes: automóveis que se guiam sozinhos, sem necessidade de condutor serão banais. E em 2030 estes carros autónomos terão o monopólio nos transportes.

Esta transformação vai causar uma reestruturação da economia, incluindo perda de empregos como nunca houve. Mas também fará desaparecer larga parte dos nossos problemas ambientais, previnirá dezenas de milhares de mortes por ano, poupará milhares de horas e causará o nascimento de indústrias que nem conseguimos pensar.

E esta revolução já começou: a Tesla Motors vai lançar este verão modelos com modo piloto automático em que “literalmente entra-se no carro, adormece-se, e acorda-se no destino”.1 2

 

Fim dos condutores

O automóvel é a coisa mais cara que a maior parte das pessoas compra durante a sua vida, logo depois de uma casa. Assim se explica o sucesso do Uber, que actua em mais de 200 cidades. No futuro, serão companhias como esta a possuir carros, e não os indivíduos.

A Uber sabe que dois em cada três adultos norte-americanos andariam num carro sem conduzir3, e que um em cada três nunca mais guiaria se carros como este estivessem disponíveis4. É por isso que prometem eventualmente substituir todos os seus condutores por carros autonómos5.

Extrapolando de um estudo da Universidade de Columbia, podemos concluir que com 100 carros autónomos a Uber substituíria os 3500 táxis que existem em Lisboa 6. Seria uma cidade de sonho em que os passageiros esperariam 30 segundos por um veículo, pagando €0.50 por quilómetro 7. Tal conveniência e baixo custo torna a ideia do carro próprio impraticável. Estes automóveis autónomos, possuídos por uma ou várias empresas, seriam a principal forma de transporte.

 

Resultados dos carros autónomos

Os efeitos serão incríveis. A PricewaterhouseCoopers prevê que o número de veículos na estrada diminuirá tanto que por cada 100 carros que vemos hoje na estrada, haverá apenas um. 8 Várias empresas de produção automóvel em grande escala, como a General Motors, a Ford e a Toyota, colapsarão. Será o fim destas e das empresas de seguros automóveis, de parques e garagens e do mercado de revenda automóvel. Empresas de aluguer de automóvel, multas de estacionamento e de velocidade, e o sistema de transportes público tornar-se-ão obsoletos. O mercado de transportes vai desaparecer conforme os condutores humanos deixam de ser necessários, e com ele, as indústrias auxiliares.

Em Portugal, só na indústria dos transportes estão empregadas 200 mil pessoas, que em 2030 deixarão de estar.

A era dos carros autónomos para que nos aproximamos bem acima do limite de velocidade significa a perda de emprego e destruição integral de indústrias. Mas sabemos também que o fim da necessidade de ter carro próprio aumentará em 2 mil milhões o rendimento disponível por ano- o que equivale a 20 jackpots do Euromilhões distribuídos pela população portuguesa. Será uma era de eficiência, inovação e criação de emprego como nunca vimos, mas vai para além disso.

30 mil vidas vão ser poupadas todos os anos, com o quase fim dos acidentes de carro 9. A qualidade de vida também aumentará: o fim dos parques, garagens, e lugares de estacionamento significa mais espaço para os peões e milhões de metros quadrados de prime real estate que vão promover um explosivo desenvolvimento metropolitano. Acabam-se os engarrafamentos, poupando a cada português, em média, 40 horas por ano – uma semana de trabalho.

A redução em 90% nos veículos usados reduziria as emissões de gases com efeitos de estufa em 16%10, e o uso de energia eléctrica popará milhares de milhões de litros de gasolina todos os anos. A nossa dependência deste combustível reduzirá drasticamente, e a tendência do aquecimento global será invertida.

Mas nada é mais entusiasmante que as invenções, descobertas e novas indústrias que nem conseguimos imaginar. Transporte imediatamente disponível, até onde se quiser. Ambulâncias que chegam em segundos. Um sistema de carros que dão energia à rede eléctrica. A unificação da cidade e subúrbios conforme o transporte se torna rápido e fácil. Mais fácil mobilidade para as pessoas de mobilidade reduzida. Aluguer imediato de tudo o que é imaginável. Transporte instantâneo e barato de tudo o que se quiser. O fim do IMTT. O fim da EMEL.

Como é bom o futuro.

 

E em Portugal

E enquanto tudo se passa, no nosso rectângulo os taxistas tentam aniquilar a concorrência que é a Uber, tornando-o mais quadrado. E com razão se amedrontam: o Uber é o melhor serviço em todas as dimensões excepto não ter os números para tentar ser um monopólio.  Tentam extorquir o futuro, em vez de se adaptarem, a única solução.

A melhor das sortes à  ANTRAL, que apenas está a garantir a sua absoluta aniquilação e daqueles que representa em 5-15 anos, por se recusar a adaptar-se. Podemos extorquir o futuro algum tempo, mas ele chega sempre e vingar-se-á.


Baseado em

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