O Fim do Mundo

Sou acusado de ser um alarmista do fim do mundo, por alguns. De ser alguém que sonha com um futuro em que as máquinas substituirão o homem. Isto em resposta às previsões do impacto das tecnologias do futuro na sociedade do presente que tenho vindo a fazer neste blog.

Decidi hoje esclarecer partilhar em detalhe as minhas visões apocalípticas.

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Figura 1: Eu, no bairro alto, segundo alguns.

O inevitável apocalipse

Os robos não precisam de mais que electricidade. Não precisam de ar condicionado nem de aquecimento, não precisam de remuneração pelo seu trabalho, não precisam de licenças de maternidade, não precisam de férias. Tem uma produtividade constante, e os problemas que lhes ocorrem são facilmente visíveis e por isso solucionáveis.

Nas minhas mais febris visões vejo cidades inteiras compostas apenas por fábricas. Fábricas sem nenhum ser humano, apenas com robôs autónomos a trabalhar na escuridão a produzir o que foram programados para produzir. Cidades fantasma, excepto que apenas populadas por robos.

Imagino que estes robos produzem carros e televisores e outros bens de consumo. Até vejo fábricas de robos a produzir outros robos, tornando seres humanos absolutamente inúteis nestas cidades.

Filas de robos a produzir robos, luzes desligadas, robos ligados à corrente. Sem nunca parar, os robos produtores armazenam os robos produzidos que são distribuidos por carros autónomos – outro tipo de robos.

Vejo também as consequências de ser o único profeta apocalíptico. Em 2015 quando começei a debater estes temas a preocupação do momento em Portugal era o desemprego corrente de 15% e o desemprego jovem de 40%.

Parémos um momento para pensar. Numa altura em que os robos ainda nem estão a competir com o ser humano pelo mercado de trabalho, num momento em que o maior competidor é o outsourcing a países com custos de vida muito mais baixos, num momento em que o BCE fugiu para a frente imprimindo quantidades insanas de dinheiro permitindo a Portugal emitir dívida a juros negativos não conseguimos lidar com o desemprego.

Como lidaríamos com o desemprego num futuro em que não temos juros da dívida negativos e em que temos robos a competir pelo mercado de trabalho?

Felizmente as minhas visões são apenas isso – visões loucas de um profeta apocalíptico.

 

O dia do apocalipse

 Menti neste texto. Mas apenas na ultima frase. O futuro que digo prever já é real.

A FANUC – uma companhia de robótica no Japão ocupa 4000 m2 ao lado do monte Fuji com os seus robos que produzem robos que produzem por si televisores e carros.

A única falha da minha visão era que a fábrica para uma vez por mês quando já não há espaço de armazenagem e nessa altura vem os humanos levar os robos, e o processo começa novamente. Os carros autónomos ainda não dominaram o Japão. Isto não por limites tecnológicos mas por limites legais.

A minha visão veio 5 anos adiantada. Em 5 anos teremos robos a produzir robos a competir pelo mercado de trabalho, e carros autonomos para tratar da distribuição. Ou nos preparamos para esse momento ou o choque vai destruir a fábrica do nosso modelo de Estado.

Historicamente, sempre que na Europa o modelo de governo é posto em causa nada de bom se segue.

Espero que consigamos evitar o apocalipse.

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Dois tipos de crescimento

A mente humana foi desenhada pela evolução para pensar de forma linear. Pensamos que o esforço e tempo investidos em algo são recompensados justamente, isto é, quanto mais nos esforçamos, mais ganhamos; e tanto mais ganhamos quanto mais esforço fazemos.

Este tipo de padrão de pensamento revela um crescimento linear, ou seja, um crescimento em que há um aumento proporcional entre o que se faz e os resultados. Imaginemos o crescimento da nossa habilidade de jogar futebol pelo tempo investido.

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Figura 1: Crescimento Linear

Neste tipo de pensamento, o progresso é sempre proporcional, mais uma unidade de investimento dá mais uma unidade de progresso.

Agora imaginemos o crescimento de outra coisa. Imaginemos o crescimento de utilizadores da internet. O gráfico deste crescimento seria muito diferente:

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Figura 2: Crescimento Exponencial

Isto é crescimento exponencial, outro tipo de crescimento. Conforme cada pessoa adopta a internet, esta pessoa publicita-a a outras pessoas, que a adoptam e a publicitam,  numa espécie de bola-de-neve que se transforma em avalanche.

A maior parte das pessoas esperam crescimento linear, sempre. Esperamos que a maior parte das coisas se desenvolva na mesma direção e à velocidade do passado. A tecnologia viola essa expectativa.

 

A tecnologia não cresce de forma linear

Velocidade

Quase nada é exponencial para sempre. A maior parte das coisas são exponenciais só durante parte do seu ciclo de vida. A tecnologia é uma delas, as empresas outra.

Nenhuma empresa chega a valores perto do infinito, como chegaria com crescimento exponencial continuado. Eventualmente o mercado está saturado ou a competição estabiliza o crescimento. Porém, para vários tipos de empresas, o crescimento exponencial pode existir durante larga parte do seu ciclo de vida. Em baixo, um exemplo: a valorização da Apple manteve-se constante 8 anos e depois aumentou 130 vezes em 15 anos.

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Figura 3: Crescimento do Valor das acções Apple 2001-2015

Mas não só empresas crescem exponencialmente. O mesmo padrão é visto no crescimento PIB mundial, como Nick Bostrom demonstra no seu livro:

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Figura 4: Crescimento PIB Mundial

Até 1980 o PIB mundial mantem-se perto de 0. Em 1980 começamos a ver o efeito da explosão de população e ideias, e em 20 anos o PIB mundial aumenta 45 vezes.

O crescimento da população mundial também tem uma forma exponencial.

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Figura 5: Crescimento População Mundial

Nos 800 anos de 1050 até 1850 a população humana manteve-se constante. Depois, em 150 anos aumentou 7 vezes.

O crescimento exponencial significa que tudo acontece mais rápido que o esperado.

 

A tecnologia cresce de forma exponencial

A tecnologia cresce de forma exponencial.

Veja-se este gráfico da penetração da internet:

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Figura 6: Crescimento Penetração Internet

Ou este do número de microprocessadores em hardware de computadores, que tem duplicado todos os anos. (Os microprocessadores são um factor limitante da capacidade dos computadores.)

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Figura 7: Crescimento de microprocessadores

O crescimento da tecnologia é exponencial:  a cada ano torna-se possível processar informaticamente 60% de tudo o que foi processado de informaticamente antes desse ano. Se os seres humanos cresceçem em altura desta forma, então se tivessem um metro aos 10 anos, aos trinta e três anos depois teriam o dobro da altura do Monte Evereste.

As nossas mentes estão habituados a pensar de forma linear, e portanto a nossa reacção é que “Quando o problema aparecer, vamos resolvê-lo, com tempo”. Devido ao crescimento ser exponencial, o problema dos impactos da tecnologia futura não vai aparecer ao longo de vários anos. Quando aparecer já será tarde de mais.

Como a Uber vai mudar a economia global à sua imagem e deixar Portugal no passado

10 anos para além da ANTRAL

Nesta semana o Tribunal de Relação de Lisboa proibiu a Uber – uma app de telemóvel que oferece um serviço de transportes – de operar em Lisboa. Como disse Francisco Veloso, diretor da Universidade de Economia e Gestão da Universidade Católica, é tentar “parar o vento com as mãos”.

Mas avancemos para 2025 no mundo dos transportes: automóveis que se guiam sozinhos, sem necessidade de condutor serão banais. E em 2030 estes carros autónomos terão o monopólio nos transportes.

Esta transformação vai causar uma reestruturação da economia, incluindo perda de empregos como nunca houve. Mas também fará desaparecer larga parte dos nossos problemas ambientais, previnirá dezenas de milhares de mortes por ano, poupará milhares de horas e causará o nascimento de indústrias que nem conseguimos pensar.

E esta revolução já começou: a Tesla Motors vai lançar este verão modelos com modo piloto automático em que “literalmente entra-se no carro, adormece-se, e acorda-se no destino”.1 2

 

Fim dos condutores

O automóvel é a coisa mais cara que a maior parte das pessoas compra durante a sua vida, logo depois de uma casa. Assim se explica o sucesso do Uber, que actua em mais de 200 cidades. No futuro, serão companhias como esta a possuir carros, e não os indivíduos.

A Uber sabe que dois em cada três adultos norte-americanos andariam num carro sem conduzir3, e que um em cada três nunca mais guiaria se carros como este estivessem disponíveis4. É por isso que prometem eventualmente substituir todos os seus condutores por carros autonómos5.

Extrapolando de um estudo da Universidade de Columbia, podemos concluir que com 100 carros autónomos a Uber substituíria os 3500 táxis que existem em Lisboa 6. Seria uma cidade de sonho em que os passageiros esperariam 30 segundos por um veículo, pagando €0.50 por quilómetro 7. Tal conveniência e baixo custo torna a ideia do carro próprio impraticável. Estes automóveis autónomos, possuídos por uma ou várias empresas, seriam a principal forma de transporte.

 

Resultados dos carros autónomos

Os efeitos serão incríveis. A PricewaterhouseCoopers prevê que o número de veículos na estrada diminuirá tanto que por cada 100 carros que vemos hoje na estrada, haverá apenas um. 8 Várias empresas de produção automóvel em grande escala, como a General Motors, a Ford e a Toyota, colapsarão. Será o fim destas e das empresas de seguros automóveis, de parques e garagens e do mercado de revenda automóvel. Empresas de aluguer de automóvel, multas de estacionamento e de velocidade, e o sistema de transportes público tornar-se-ão obsoletos. O mercado de transportes vai desaparecer conforme os condutores humanos deixam de ser necessários, e com ele, as indústrias auxiliares.

Em Portugal, só na indústria dos transportes estão empregadas 200 mil pessoas, que em 2030 deixarão de estar.

A era dos carros autónomos para que nos aproximamos bem acima do limite de velocidade significa a perda de emprego e destruição integral de indústrias. Mas sabemos também que o fim da necessidade de ter carro próprio aumentará em 2 mil milhões o rendimento disponível por ano- o que equivale a 20 jackpots do Euromilhões distribuídos pela população portuguesa. Será uma era de eficiência, inovação e criação de emprego como nunca vimos, mas vai para além disso.

30 mil vidas vão ser poupadas todos os anos, com o quase fim dos acidentes de carro 9. A qualidade de vida também aumentará: o fim dos parques, garagens, e lugares de estacionamento significa mais espaço para os peões e milhões de metros quadrados de prime real estate que vão promover um explosivo desenvolvimento metropolitano. Acabam-se os engarrafamentos, poupando a cada português, em média, 40 horas por ano – uma semana de trabalho.

A redução em 90% nos veículos usados reduziria as emissões de gases com efeitos de estufa em 16%10, e o uso de energia eléctrica popará milhares de milhões de litros de gasolina todos os anos. A nossa dependência deste combustível reduzirá drasticamente, e a tendência do aquecimento global será invertida.

Mas nada é mais entusiasmante que as invenções, descobertas e novas indústrias que nem conseguimos imaginar. Transporte imediatamente disponível, até onde se quiser. Ambulâncias que chegam em segundos. Um sistema de carros que dão energia à rede eléctrica. A unificação da cidade e subúrbios conforme o transporte se torna rápido e fácil. Mais fácil mobilidade para as pessoas de mobilidade reduzida. Aluguer imediato de tudo o que é imaginável. Transporte instantâneo e barato de tudo o que se quiser. O fim do IMTT. O fim da EMEL.

Como é bom o futuro.

 

E em Portugal

E enquanto tudo se passa, no nosso rectângulo os taxistas tentam aniquilar a concorrência que é a Uber, tornando-o mais quadrado. E com razão se amedrontam: o Uber é o melhor serviço em todas as dimensões excepto não ter os números para tentar ser um monopólio.  Tentam extorquir o futuro, em vez de se adaptarem, a única solução.

A melhor das sortes à  ANTRAL, que apenas está a garantir a sua absoluta aniquilação e daqueles que representa em 5-15 anos, por se recusar a adaptar-se. Podemos extorquir o futuro algum tempo, mas ele chega sempre e vingar-se-á.


Baseado em

60% dos empregos em Portugal vão desaparecer

É o que revela um novo estudo, da Bruegels. Este estudo baseia-se no que analisámos no ensaio passado, ao aplicar os mesmos cálculos da probabilidade de automatização dos empregos ao mercado de trabalho europeu.

Actualmente, são 3 os principais entraves de engenharia que previnem a automatização de uma ocupação: 1) inteligência criativa, 2) inteligência social, e 3) tarefas de percepção e manipulação delicadas. A força somada destes entraves gera uma classificação de empregos de acordo com quão difíceis são de automatizar.

Esta classificação dá-nos o risco de computadorização, isto é, a probabilidade de uma ocupação ser automatizado dentro nos próximos 10-20 anos. Quanto mais e mais fortes os entraves, menor a probabilidade de automatização (desde fisioterapeutas – 0.28% – até telemarketers – 99%).

A Bruegels expandiu o estudo original usando dados baseados na 2012 EU Labour Force Survey, que reflecte o mercado de trabalho na UE. Utilizando esses dados geraram um index do risco de computadorização do total da força de trabalho nas próximas uma a duas décadas na EU-28, com estes resultados:

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Fonte: Cálculos Bruegel baseados em Frey & Osborne (2013), ILO, EU Labour Force Survey.
Vermelho significa maior percentagem do mercado de trabalho sob risco de computadorizaçao, verde menor percentagem.

Portugal está, junto com a Roménia, sob o maior risco de computadorização, ambos com 60% da população trabalhadora a ser deslocada do mercado de trabalho.

(Claro que conforme algumas tarefas passem a ser realizadas por computadores os antigos trabalhadores podem realizar novas tarefas, e novas ocupações nascerão. É difícil prever os trabalhos existentes em 2035, e portanto, esta análise é, na realidade, acerca do que aconteceria hoje se a evolução dos computadores nas próximas duas décadas fosse transportada para o mercado de trabalho actual, com as exigências e capacidades actuais.

Claro que várias coisas podem ainda mudar.

Porém, os cavalos substituídos por carroças aquando da massificação do automóvel não encontraram ocupações alternativas, e é portanto importante levar a sério a hipótese de este problema não se resolver por si só.)

O que a análise revela é que conforme a adopção aconteça – e acontecerá, porque o baixo custo da tecnologia impô-lo-à, – a periferia da Europa está sob o maior risco.

Presentemente o foco da UE tem sido diminuir as altas taxas de desemprego (10% desemprego adulto e 20% desemprego jovem na EU-28 em 2014). Estas taxas, baixas relativas às previstas, já tem causado problemas sociais e de estabilidade social. Não é sério ignorar uma análise que pinta um futuro com desemprego 3 a 6 vezes maior.

Uma de duas coisas acontecerá: seremos apanhados de surpresa, a tecnologia mudará o mercado de trabalho causando desemprego maciço – levando à ruptura do modelo social europeu, a taxações dos donos de capital e meios de produção tais que fugiram da Europa como hoje fogem para offshores -; ou, preparar-nos-emos, realocando o talento futuro imediatamente: mudando os nossos sistemas educativos direcionando a aprendizagem para tarefas criativas, de inteligência social, e de manipulação e percepção delicada.

 

 

Nota: O autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.

 

 

50% das ocupações norte-americanas ameaçadas pela tecnologia

Fez agora 400 anos que William Tee morreu. Para quem não conheça, William Tee foi o homem inglês que, ao inventar a primeira máquina de costura automática, revolucionou a indústria. A própria rainha de Inglaterra, na altura Isabel I, nunca lhe concedeu a patente, devido à preocupação e pressão de todos aqueles cujo emprego era coser à mão. Tee mudou-se para França – onde foi apoiado pelo rei – e lá morreu.

Séculos passaram, o medo da inovação tecnológica suplantar trabalhadores humanos ficou. Até agora este medo do desemprego tecnológico não se materializou. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, no início do século passado mais 40% da força de trabalho norte-americana estava empregada na agricultura. Hoje, a tecnologia subsituiu quase todos os trabalhadores e a percentagem desceu para 2% mas a taxa de desemprego manteve-se relativamente constante.

O futuro parece ser diferente: num estudo da Oxford University a 700 ocupações, conclui-se que metade destas são susceptíveis à computadorização, isto é, aos trabalhadores serem substituídos agora não por maquinas mas por computadores da próxima geração através da Big Data.

A Big Data marca um ponto de viragem na curta história da substituição do trabalho humano pela tecnologia. As máquinas do século XIX substituíram artesãos dotados ao simplificar as tarefas. No século passado, a revolução computacional causou um esvaziamento dos trabalhos de manufatura de médio-rendimento, que envolviam actividades baseadas em regras, e portanto fáceis de computadorizar. Agora, a próxima geração de computadores Big Data vai principalmente substituir trabalhadores de baixo-rendimento e baixa-habilidade.

A computadorização ser um risco para tantas ocupações é lógico economicamente: se os custos da computação digital continuam a cair, os computadores serão cada vez mais uma alternativa mais barata que trabalhadores humanos. A Big Data é a causa do decréscimo de custos: torna mais barato e eficiente compilar grandes bases de dados a partir de sensores automáticos.

Passaram a estar em risco trabalhos que nunca estiveram. Trabalhos como os de trasportação e logística ameaçados por carros que se guiam a eles mesmos, menos caros e menos arriscados que condutores humanos. Trabalhos como advogados de patentes ou paralegais, funções de suporte administrativos que podem ser facilitadas com computadores com a capacidade de percorrer largas pilhas de documentos dados novos algoritmos de reconhecimento de padõres. E também trabalhos como a maioria de profissões de serviços e vendas, desde trabalhadores de fast food até digitadores.

E que empregos estão seguros nas próximas décadas? Aqueles que as máquinas não conseguem fazer para já.

Primeiro, tarefas que requerem inteligência social e criativa. São empregos com baixo risco de computadorização aqueles que requerem inteligência social e o desenvolvimento de novas ideias e artefactos naquele contexto. Empregos como a maioria das profissões de gestão, intensas em tarefas que requerem inteligência social, mas também ocupações em educação e saúde, artes e media. As engenharias e ciências são relativamente imunes dado o alto grau de inteligência criativa necessária.

Depois os obstáculos de engenharia que previnem computadores, ou equipamento controlado por computadores, de realizarem essas tarefas. A instalação, reparação e manutenção estão seguras. Estas requerem mover-se em ambientes com pouca estrutura e os computadores não tem capacidades de percepção que são triviais para o ser humano. Por isto, empregadas de limpeza, que tem de delicadamente manipular vários objectos, não serão provavelmente computarizadas no futuro.

Mas isto são os computadores de próxima geração. Os que se seguem ganharão capacidades (Por exemplo: o mercado de robôs pessoais de casa cresce 20% por ano) e a vantagem competitiva dos humanos diminuirá, levando a uma ainda maior taxa de substituição de humanos por máquinas.

Trabalhadores de baixa-habilidade terão que ser orientados para tarefas como as descritas acima ou as próximas décadas serão de um desemprego nunca visto causado pelo avanço tecnológico, e de todos os problemas tal desemprego trará.

Não seria possível evitar o avanço tecnológico e portanto salvar os empregos? A história diz-nos que não. Os motores para carros substituíram os cavalos para carroças. A lógica económica é implacável: hoje a França, que apoiou William Tee, é o expoente global da alta-costura.

Nota: O autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.

Texto original aqui

Impactos da tecnologia

Impactos da tecnologia

Bem-vindos à página do Impactos da tecnologia. Em tempos de agitação social e debate político tornou-se-nos necessário colmatar uma falha na análise da sociedade portuguesa acerca do futuro: a dos impactos da tecnologia futura.

A tecnologia é a força mais poderosa que o ser humano criou em termos da sua habilidade de moldar o mundo social onde o ser humano vive. Qualquer análise do futuro tem de ter em conta os impactos da tecnologia futura. Nenhuma análise contemporânea do futuro da sociedade portuguesa os tem, de forma sóbria e clara.

Esta página vai providenciar essa análise.